Os publicitários Thomaz Ballverdú e Ramon Ballverdú, sócios na agência Mark+ de Pelotas, há algum tempo descobriram como aliar a criatividade e o alcance digital para impactar vidas e mobilizar sociedade e, inclusive, o poder público. Através de intervenções urbanas eles fornecem um novo olhar ao cotidiano, seja convidando as pessoas a aliviarem seu stress em uma bateria posicionada no Centro da cidade ou protestando contra a falta de acessibilidade nas grandes cidades através de um vídeo simples cujos protagonistas são os cadeirantes.
Estas ações e campanhas criativas deram início ao estúdio Carma, braço da agência com foco no desenvolvimento de conteúdos diferenciados, aproximando pessoas e marcas com resultados para a sociedade, mostrando que toda a ação, por mais simples que seja, causa uma reação. E é sobre isso que Thomaz e Ramon irão abordar em sua palestra, “Impacto social positivo no mundo das marcas”, no Encontro de Influenciadores Digitais RS, que acontece pela primeira vez em Pelotas no próximo dia 17 – no hotel Flat7, das 14h às 19h.
[blocktext align=”left”]”Os consumidores estão procurando nas marcas demonstrações do bem, uma propaganda menos intrusiva e mais utilitária”. [/blocktext]
Nesta entrevista ao nosso portal, Thomaz conta sobre o que tem aprendido desenvolvendo estas intervenções e trabalhando o papel do marketing como instrumento de transformação e apelo social:
Quando surgiu a oportunidade de trabalhar com intervenções urbanas criativas?    
Surgiu como um projeto paralelo, sempre foi uma diversão essa questão dos vídeos, câmeras e gravações. Nossa primeira intervenção urbana foi o ”Descarregue o Mau Humor”, quando colocamos uma bateria na rua. Nós tínhamos uma bateria velha, parada em casa, e vimos que poderíamos dar uma utilidade para ela.
Como era nossa primeira ação não criamos grandes expectativas e acabamos nos surpreendendo positivamente, foi o nosso grande start ver a reação e a alegria de cada pessoa, mostrando que uma simples intervenção pode mudar o dia.
Esse vídeo foi um dos finalistas do Prêmio Universitário evento paralelo ao Festival Mundial de Publicidade de Gramado. Lá conhecemos grupos e referências como o Shoot The Shit e a Perestroika que também serviram como incentivo para seguirmos adiante.
De que forma vocês exploram os meios digitais para estas campanhas de intervenção?
Parkour-com-cadeira-de-rodasA tecnologia permite que as nossas ações, muitas feitas em Pelotas, rodem pelo mundo. Pudemos entender isso na nossa segunda ação, ”Parkour Roulant” (imagem ao lado), que ganhou grande repercussão nacional e também internacional. Nos chamou atenção um pessoal de Paris, que comparou a questão de acessibilidade deles com das nossas calçadas em Pelotas, e transformou o vídeo do Parkour Roulant em um manifesto para a melhoria das calçadas junto a prefeitura local.
 
Outro projeto que teve um grande alcance foi o ”Troco Coletivo” (imagem em destaque), que ganhou notoriedade internacional, inclusive com replicação do projeto no México.
Utilizamos a tecnologia como forma de criação dos nossos conteúdos e acreditamos também no poder do analógico, como fizemos com a ”Rede Disponível”,  o ‘‘Projeto Cadeira na Rua’‘. À medida que cresce a tecnologia, aumenta também a nostalgia, e a saudade de tempos passados.
Para vocês, quais foram as principais mudanças no comportamento de consumo na sociedade nos últimos anos e como a agência de vocês tenta acompanhar todas estas transformações?
Os consumidores estão procurando nas marcas demonstrações do bem, uma propaganda menos intrusiva e mais utilitária. Entendemos que a transparência também é uma tendência e focamos tudo isso em histórias reais.
Como é o processo criativo de vocês para cada nova campanha?
Sempre procuramos fazer as intervenções da forma mais simples possível, acreditamos que isso torna o projeto real e assim conseguimos colocar na rua. As ideias surgem da soma de referências + inspirações, muitas ações surgem das nossas brincadeiras de criança, dos nossos problemas no trânsito, da nossa vida diária.
Um case interessante de vocês, criativo, de intervenção urbana que surpreendeu pela reação do público e resultado positivo para a marca?
Uma das últimas ações que fizemos ”Bola da Rua”, quando transformamos todas crianças em donas da bola. A recepção das crianças foi muito bacana, o que nos surpreendeu foi a reação dos pais e vizinhos que se colocaram a disposição para cuidar e adotaram o projeto. Fora isso, o que podemos acompanhar nas páginas da Zezé (Biscoitos), é muito gratificante. Quando postamos um vídeo para a Zezé os fãs da marca prontamente reconhecem como mais uma das ”ações da Zezé”. Nas últimas semanas mais dez ”Bolas da Rua” ficaram prontas e pedimos através da Fan Page sugestão de lugares, o engajamento foi fantástico.