O que aprender com a regulamentação de influencers na França?

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Artigo por Andressa Griffante

Quem acompanha as notícias sobre Marketing de Influência já sabe sobre essa lei aprovada em tempo recorde na França!

E também sabe que os problemas que fizeram o país europeu regulamentar a atividade de influenciadores são os mesmos que enfrentamos aqui no Brasil: falta de transparência, criadores recomendando produtos e serviços sem se preocupar com idoneidade da marca contratante, imagens modificadas por IA em que não fica claro para a audiência o que é real e o que não é…

Entre tantas outras irregularidades que fazem o mercado de influência parecer uma terra sem lei. Sabemos que não é e não pode ser assim.

É por isso que especialistas já defendem uma regulamentação parecida com a francesa aqui no Brasil também. Porém, enquanto ela não chega, vale conferir o que podemos aprender com a nova legislação do país da Europa e algumas dicas pra se resguardar (seja você influenciador, marca ou agência).

Quais as principais práticas que ficam PROIBIDAS na França com a nova lei?

São elas:

  • Promoção de procedimentos estéticos cuja prescrição seja exclusiva de profissionais de saúde;
  • Promoção de criptoativos e aplicativos de apostas esportivas;
  • Publis sem a devida sinalização;
  • Vídeos ou fotos cujas imagens foram retocadas, criadas ou alteradas por IA sem a devida sinalização;
  • Promoção de qualquer item que contenha nicotina (incluindo cigarros eletrônicos).

Mas afinal, quem a lei considera influenciador?

O texto regulatório define que são pessoas que, mediante remuneração ou benefícios em espécie, mobilizam a sua notoriedade junto da sua audiência para comunicar.

E que postam conteúdos online destinados à promoção, direta ou indiretamente, de bens, serviços ou qualquer causa.

Estima-se que a França tenha cerca de 150 mil influenciadores.

E qual a punição prevista para quem descumprir a lei francesa?

As sanções vão de 300 mil euros (mais de 1mi de reais) a 2 anos de prisão.

E também atribui responsabilidade solidária ao influenciador, empresas e agências. Ou seja, todos podem ser responsabilizados pelos eventuais danos causados aos consumidores.

Como esse tema é tratado atualmente no Brasil?

Por aqui não existe regulação, mas está disponível desde 2020 um guia de publicidade para influenciadores, criado pelo CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária).

Ele orienta sobre boas práticas na divulgação digital, com o objetivo de proteger o consumidor baseando-se na transparência.

Porém, a criação de uma lei semelhante à da França no Brasil daria mais garantia sobre uma fiscalização e punições a eventuais abusos e falta de profissionalismo neste segmento.

Como se resguardar enquanto a regulamentação não chega no Brasil?

Para influenciadores:

  • Estar ciente de sua responsabilidade e buscar sempre entender mais a fundo sobre as marcas que divulgam;
  • Ser sempre transparente com o público, deixando claro o que é publi;
  • Adotar contratos e registros por escrito do que é acordado com seus clientes;
  • Redobrar atenção em conteúdos sobre os saúde, gastronomia, finanças, estética e outros que necessitem de avaliação especializada para que não causem prejuízos ao consumidor.

Para marcas e agências:

  • Buscar influencers que sigam as boas práticas em suas divulgações, sejam autoridade e tenham conhecimento sobre o nicho em que atuam;
  • Abastecer os criadores de informações comprovadas e idôneas sobre seus produtos e serviços;
  • Registrar acordos formalmente com influenciadores contratados, mesmo nos casos de permuta;
  • Contar com profissionais especializados para auxiliar na curadoria de profissionais, garantir entregas e formalização.

Me conta, você já toma esses cuidados na hora de realizar ou contratar uma publicidade online por meio de influenciadores?

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Andressa Griffante é Jornalista e atua com projetos de conteúdo digital para promover marcas e experiências. Estratégias e Consultoria em Marketing de Influência na agência RSbloggers. Divulgação e capacitação online para o turismo em Passageira.com.br.